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A seguir, veja a entrevista que Liza Dalby concedeu
ao Nihonsite:
Nihonsite
- Quanto tempo durou sua experiência como gueixa?
Liza Dalby
- Como parte de minha pesquisa, vivi durante nove
meses na comunidade gueixa de Pontocho, em Kyoto. Como
gueixa, meu nome era Ichigiku
.
Nihonsite - O que mais a fascinou nas gueixas?
Liza Dalby
- O fato de elas viverem em comunidades formadas apenas
por mulheres que se dedicam a artes tradicionais como
canto e dança, e também por serem capazes de construir
uma carreira com esse estilo de vida.
Nihonsite
- A gueixa pode ser considerada um símbolo representativo
da cultura japonesa?
Liza Dalby
- Bem, há o velho trio de imagens (Sakura, Fujiyama,
gueixa) que formam os símbolos estereotipados do Japão
ao redor do mundo. Mas, apesar de as gueixas preservarem
as artes tradicionais do Japão, acredito que a maioria
das pessoas percebe, hoje, que elas são realmente exóticas
- inclusive para a própria cultura japonesa.
Nihonsite
-
Por que existe essa confusão entre gueixas e prostitutas?
Liza Dalby
- Essa é uma questão histórica. A profissão da gueixa
nunca foi ilegal. Já a prostituição foi uma atividade
aceita até 1957 no Japão, ano em que passou para a ilegalidade.
Por isso, de um ponto-de-vista puramente técnico, pode-se
dizer que gueixas e prostitutas não são a mesma coisa.
Mas, como você sabe, na vida real as coisas não são
tão simples.
Nihonsite
- Como assim?
Liza Dalby
- Desde que as gueixas surgiram, no século 17, foram
publicadas várias leis proibindo-as de se envolverem
em prostituição. As gueixas se enquadravam numa outra
categoria de profissionais do entretenimento. Mas o
próprio fato de que essas leis eram continuamente republicadas
indica que, no passado, algumas gueixas se prostituíam.
Nihonsite
- E como as gueixas abordam essa questão atualmente?
Liza Dalby
- Elas são supersensíveis sobre esse assunto.
Percebi que há uma tendência das pessoas de ver esse
passado como algo mais "cor-de-rosa", mas acho que isso
não é uma postura realista.
Nihonsite
- E como você avalia o relacionamento que uma gueixa
mantém com seu danna (patrocinador que financia parte
de seus custos)?
Liza Dalby
- Nesse caso, o relacionamento é íntimo e vem de longa
data (e é comum que o danna seja um homem casado). Você
chamaria isso de prostituição? Eu não, mas algumas pessoas
o fariam.
Nihonsite
- Fora do Japão, criou-se uma imagem um tanto quanto
irreal das gueixas. Você acha que elas podem ser realmente
compreendidas pelos ocidentais?
Liza Dalby
- Quando escrevi meu livro "Geisha" (em 1983), explicando
as origens da profissão e por que ela continuava a existir,
eu pensei que iria acabar com a mitificação construída
em torno das gueixas. Mas obviamente isso não aconteceu.
Para a maioria dos ocidentais, a gueixa representa a
imagem de uma feminilidade mítica e exótica, e eu duvido
que isso mude. A maioria das pessoas prefere o mito.
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