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"Há muito, muito tempo, num lugar distante..." Assim começam diversos contos e lendas japonesas, narradas oralmente de geração para geração, há muitos anos. Conhecidas como mukashi-banashi (ou histórias antigas), elas contam histórias de pessoas simples, com temores e desejos, que guardam a esperança de uma vida melhor e buscam a descoberta interior.

Simbologias
Ricos em simbologias e mistérios, os contos japoneses receberam grande influência do budismo e xintoísmo, religião presente na origem da mitologia japonesa. Daí vem a crença de que todos os elementos da natureza possuem um kami, uma alma, uma divindade, que não é exatamente o que os ocidentais entendem por Deus. Nos contos, o nascimento de um herói sempre se dá de forma milagrosa, às vezes ele nasce dos elementos da própria natureza. Assim como a natureza, existem outros elementos e personagens que freqüentemente aparecem nos contos japoneses.

Os personagens
O mal, por exemplo, é representado pelo Oni, um demônio ou monstro, que ameaça a tranqüilidade dos humanos. As fadas, típicas dos contos de origem européia, são substituídas por uma força mágica ou por seres sobrenaturais que trazem mensagens positivas e recompensas. Há forte presença também de personagens idosos nas lendas, o ojissan e a obaassan (o velhinho e a velhinha). As bruxas aparecem mais como um espírito da floresta, a Yamauba.

E no Brasil?
Embora não sejam muito conhecidas no Brasil, as lendas e contos japoneses são amplamente difundidos no Japão. Não há quem não conheça, por exemplo, a história Momotaro, o menino que nasceu do pêssego gigante. Talvez isso se deva ao fato de a imigração japonesa no Brasil ser bem recente e da língua japonesa ser de difícil acesso aos ocidentais. Pode ser ainda uma característica da própria cultura japonesa, que não faz muito esforço para divulgar as lendas entre outros povos.

Mukashi-banashi x Densetsu
O termo mukashi-banashi foi criado pelo etnologista Yanagita Kunio (1975-1962) para descrever o que antes se costumava chamar por diversos outros nomes: kohi (tradição oral), mindan (histórias folclóricas) e dowa (histórias de crianças). Este termo refere-se a contos folclóricos, baseados em personagens e eventos fictícios. As histórias começam com "Musashi mukashi, aru tokono ni" (Há muito tempo, num certo lugar) e terminam com "de atta to sa" (e assim foi dito), o que indica que a estória tem sido passada de narrador para narrador. Já as lendas históricas, com tempo e personagens específicos e que, acredita-se, realmente aconteceram, são chamados de densetsu. Apesar das diferenças de simbologias e mitos, todos os povos têm seus contos folclóricos, seus deuses e mitos, que influenciam na formação do ser. Os histórias narradas aqui são bastante antigas e conhecidas por todo o povo japonês, há muitos anos. Cada um pode ler e a seu modo, conforme seu tempo e aprender a sua maneira.

                                                                    Colaboradora: Jornalista Erica Noda

Adaptações dos livros: Contos e lendas do Japão, Lúcia Hiratsuka Once upon a time in Japan, Sayumi Kawauchi e Ralph R. McCarty The legends of Tono, Yanagita Kunio

 
 
 
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