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A Vida de Buda :|:  Último Ensinamento

Estando em Kusinagara, no bosque de árvores sala, Buda proferiu os últimos ensinamentos a seus discípulos, dizendo-lhes:

"Fazei de vós mesmos uma luz. Confiai em vós mesmos: Não dependáis de mais ninguém. Fazei de meus ensinamentos a vossa luz: Confiai neles; não dependáis de nenhum outro ensinamento."

"Considerai o vosso corpo, pensai em sua impureza, sabendo que a dor e o prazer são causa de sofrimento, como podeis ser coniventes com seus desejos? Considerai o vosso coração, pensai em sua inconstância, como podeis cair em ilusão e alimentar o orgulho e o egoísmo, sabendo que tudo termina em sofrimento inevitável? Considerai todas as substâncias, podeis nelas encontrar algum "eu" duradouro? Não são elas um agregado que mais cedo ou mais tarde se partirá em pedaços e se dispersará? Não vos desconcerteis com a universalidade do sofrimento, segui os meus ensinamentos, mesmo depois de minha morte, e estareis livres do sofrimento. Fazei isso e sereis verdadeiramente meus discípulos."

"Caros discípulos, os ensinamentos que vos dei nunca devem ser esquecidos ou abandonados. Eles deverão ser sempre entesourados, meditados e praticados! Se seguirdes estes ensinamentos, sereis sempre felizes."

"O propósito destes ensinamentos é controlar vossa própria mente. Abandonai a cobiça, e conservareis o corpo íntegro, a mente pura e vossas palavras serão as palavras da verdade. Se nunca esquecerdes o caráter transitório da vida, podereis resistir à ganância, à ira e podereis também evitar todos os males."

"Se vossa mente for seduzida e enredada pela cobiça, deveis dominar e controlar a tentação, sede o senhor de vossa própria mente."

"A mente de um homem pode fazê-lo um Buda ou uma fera. Corrompido pelo erro, torna-se um demônio; iluminado, torna-se um Buda. Controlai, portanto, vossa própria mente e não a deixeis afastar do caminho correto."

"Com estes ensinamentos, deveis respeitar-vos uns aos outros e abster-vos de disputas; não deveis, como a água e o óleo, repelir-vos mutuamente, deveis, isto sim, como o leite e a água, combinar-vos."

"Estudai juntos, aprendei juntos e praticai juntos estes ensinamentos. - Não desperdiceis vossa mente e tempo com o ódio e com a discórdia. Desfrutai das flores da Iluminação, quando ela a vós se apresentar e colhei os frutos deste caminho correto."

"Os ensinamentos que vos tenho dado, eu os adquiri, seguindo, por mim mesmo, o caminho da Iluminação. Deveis, portanto, seguí-los e sujeitar-vos à sua essência em toda ocasião, quando ela a vós se apresentar e colhei os frutos deste caminho correto."

"Se os negligenciais, é porque realmente nunca me encontrastes. Isso significa que estais longe de mim, mesmo que estejais comigo; porém se aceitais e praticais meus ensinamentos, então, estais bem próximo de mim, ainda que vos encontreis distante."

"Caros discípulos, o meu fim está se aproximando, a nossa despedida é eminente, mas não vos lamenteis. A vida está sempre mudando; ninguém pode escapar da dissolução do corpo. Esta transitoriedade vou mostrar agora, com a minha própria morte, com o meu corpo caindo em pedaços como um carro apodrecido."

"Não vos lamenteis inutilmente, mas maravilhai-vos com o princípio da transitoriedade e dele aprendei a vacuidade da vida humana. Não alimenteis vãos desejos de que as coisas mutáveis se tornem imutáveis."

"O demônio das paixões mundanas está sempre procurando ludibriar a vossa mente. Se uma víbora morar em vosso quarto, não podereis ter um sono tranqüilo, se não a expulsardes."

"Deveis romper os liames das paixões mundanas e expulsá-las, assim como expulsais a víbora. Deveis, indubitavelmente, proteger o vosso coração."

"Meus discípulos, é chegado o meu derradeiro momento, mas não vos esqueçais de que a morte é apenas o desaparecimento do corpo físico. Este corpo nasce de pais e se mantém com alimentos; por isso, a doença e a morte lhe são inevitáveis."

"Atentai a este fato: Buda não é um corpo físico, é a Iluminação. O corpo físico perece, mas a Iluminação subsistirá para sempre na verdade do Dharma* e na prática do Dharma. Aquele que apenas vê o meu corpo não me vê realmente. Somente aquele que aceita meu ensinamento consegue ver-me."

"Depois da minha morte, o Dharma será o vosso mestre. Observai o Dharma e sereis fiéis a mim."

"Nesses quarenta e cinco anos de vida, nada ocultei em meu ensinamento. Nele não há segredos, nenhum significado oculto; tudo vos foi aberta e claramente ensinado. Meus caros discípulos, é chegado o fim. Logo estarei entrando no Nirvana. Esta é a minha última instrução."

* Dharma (A verdadeira Doutrina - preceitos éticos do Budismo)
São preceitos ensinados por Buda, o Iluminado. Há três tipos de cânones nestes preceitos, a saber: Sutras (o principal dharma ensinado pelo próprio Buda), Vinayas (código de disciplina dos monges transmitido por Buda), e Abhidharmas (comentários e discussões sobre os Sutras e Vinayas feitos pelos sábios de épocas posteriores). Estes três tipos de cânones constituem aquilo que se chama de Tripitaka. Dharma é uma das Três Jóias do Budismo.

Texto extraído do livro:
A Doutrina de Buda
Bukkyo Dendo Kyokai / Fundação Educacional e Cultural Yehan Numata





 
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