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As Religiões Nipo-Brasileiras
O imigrante japonês, como não podia deixar de ser, também trouxe consigo as mais diversas orientações religiosas. No princípio, embora houvesse garantias legais à liberdade de culto no Brasil, a propagação das religiões nipônicas foi inibida pelas autoridades japonesas - pretendendo evitar com isso que o imigrante fosse vítima de repúdio e hostilidade - e pelo meio brasileiro sob a hegemonia católica.
O período inicial da imigração registrou a presença de membros e missionários de vários grupos religiosos, porém, o trabalho proselitista destes era muito limitado. Aos poucos, esses grupos foram se organizando e difundindo dentro e fora da "colônia japonesa".
Estima-se que haja atualmente de 50 a 60 grupos xintoístas, budistas e outros, o que faz do Brasil o país com maior expansão das religiões japonesas fora do Japão. Cumpre notar que há confrarias religiosas e grupos ético-morais não organizados formalmente como religiões, além de religiões cristãs com trabalho missionário voltado especificamente para a comunidade nipo-brasileira. E ainda: alguns grupos foram criados no Brasil por japoneses ou nisseis, homens e mulheres, dotados de poderes mediúnicos; a maioria destes é tendencialmente xintoísta, mas não deixa de incorporar diversos elementos do universo religioso brasileiro (principalmente católicos, espíritas e umbandistas).
O Xintoísmo tradicional no Brasil tende a se manter uma religião "étnica" e, portanto, confinada à colônia nikkei.
O Budismo tradicional também reproduz aqui, como no Japão, seu papel histórico de prestador de serviços fúnebres, centrado na família do imigrante.
Assim, pode-se afirmar sem sombra de dúvida que os movimentos ético-religiosos de origem nipônica mais bem sucedidos no Brasil pertencem à categoria das "novas religiões", as quais possuem a maioria de adeptos sem ascendência japonesa e reúnem algumas características comuns como: a ênfase na força do pensamento positivo e na auto-confiança; milagres e curas com base na fé e/ou no nível de dedicação às diretivas do grupo; estímulo às reuniões de pequenos grupos, que combinam aconselhamento, troca de experiências, testemunhos de fé, estudo da doutrina e lazer; uma ética ou orientações para o cotidiano; culto aos antepassados.
As religiões japonesas são classificadas pelo Governo japonês como xintoístas, budistas, neo-xintoístas, neo-budistas e "outras". Essa última categoria inclui religiões ecléticas ou que não aceitam a classificação oficial.
Texto extraído do livro:
Cultura Japonesa em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba
Aliança Cultural Brasil- Japão
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